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Banco Palmas







Banco Palmas: O Precursor dos Bancos Comunitários no Brasil

Introdução

O Banco Palmas é considerado o primeiro banco comunitário de desenvolvimento do Brasil e a principal referência nacional em economia solidária, moedas sociais e inclusão financeira. Criado em 1998 no Conjunto Palmeiras, bairro periférico de Fortaleza (CE), o projeto tornou-se um modelo replicado em dezenas de comunidades brasileiras e inspirou iniciativas como o Banco Mumbuca e o NeuroBanco.


A Origem do Banco Palmas

A história do Banco Palmas começa muito antes de sua fundação.

Na década de 1970, milhares de famílias foram removidas de áreas valorizadas de Fortaleza e transferidas para uma região sem infraestrutura adequada, que viria a ser conhecida como Conjunto Palmeiras. Durante anos, os moradores organizaram mutirões para construir ruas, redes de esgoto, escolas, creches e equipamentos comunitários.

Quando o bairro finalmente melhorou, surgiu um novo problema: a falta de emprego e renda. O dinheiro ganho pelos moradores era gasto em outras regiões da cidade, impedindo o desenvolvimento econômico local.

Foi então que a Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras (ASMOCONP) decidiu criar uma solução própria.

Em janeiro de 1998 nasceu o Banco Palmas.


Quem Criou o Banco Palmas?

Curiosamente, o próprio Instituto Palmas afirma que o Banco Palmas não teve um único criador.

A iniciativa surgiu coletivamente a partir da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras, embora o nome mais associado ao projeto seja o de Joaquim Melo Neto, educador popular e um dos principais articuladores da experiência.

Segundo o Instituto Palmas, foram várias lideranças comunitárias que sistematizaram o projeto como estratégia de geração de trabalho e renda para o bairro.


O Objetivo do Banco Palmas

O Banco Palmas foi criado para responder a uma pergunta simples:

Como fazer o dinheiro permanecer circulando dentro da própria comunidade?

A solução encontrada foi unir:

  • Microcrédito;
  • Moeda social;
  • Comércio local;
  • Educação financeira;
  • Organização comunitária.

O objetivo era gerar desenvolvimento econômico sem depender exclusivamente de investimentos externos.


A Moeda Social Palmas

Em 2000, o Banco Palmas lançou sua própria moeda social: a Palma.

A moeda possuía paridade com o Real:

1 Palma = R$ 1,00

Ela podia circular apenas dentro da comunidade, incentivando moradores a comprar de comerciantes locais.

Esse mecanismo ficou conhecido como:

  • Economia local;
  • Economia circular;
  • Consumo solidário.

O resultado era simples: o dinheiro permanecia mais tempo no bairro, fortalecendo os pequenos negócios e gerando emprego.


O Modelo de Crédito

O Banco Palmas inovou ao oferecer duas modalidades de crédito:

Crédito em Reais

Para necessidades convencionais.

Crédito em Moeda Social

Para estimular o consumo e a produção dentro da comunidade.

Além disso, a análise de crédito valorizava o conhecimento da própria comunidade sobre os moradores, reduzindo barreiras para pessoas excluídas do sistema bancário tradicional.


O Instituto Palmas

Em 2003 foi criado o Instituto Palmas.

Sua função passou a ser:

  • Organizar a metodologia;
  • Apoiar novos bancos comunitários;
  • Produzir pesquisas;
  • Desenvolver tecnologias sociais;
  • Expandir o modelo para outras regiões do Brasil.

Expansão Nacional

O sucesso do Banco Palmas levou ao surgimento de uma rede nacional de bancos comunitários.

Entre os exemplos mais conhecidos estão:

  • Banco Mumbuca
  • NeuroBanco
  • Banco Bem
  • Banco dos Cocais
  • Banco Arariboia

Todos foram influenciados, direta ou indiretamente, pela experiência pioneira do Banco Palmas.


A Filosofia do Banco Palmas

A principal ideia do Banco Palmas é que:

Um território não é pobre por natureza.

Segundo sua metodologia, comunidades tornam-se pobres quando a riqueza produzida localmente sai continuamente para outras regiões.

Por isso, o desenvolvimento deve ser construído a partir da própria comunidade, fortalecendo produção, consumo e crédito locais.


Banco Palmas e o Banco Central

Ao longo dos anos, o Banco Palmas desenvolveu diálogo com o Banco Central, universidades, governos e organismos internacionais.

Sua experiência ajudou a construir parte da discussão nacional sobre:

  • Moedas sociais;
  • Inclusão financeira;
  • Finanças solidárias;
  • Desenvolvimento territorial.

Importância para a História das Moedas Sociais

O Banco Palmas ocupa posição semelhante à de um "patriarca" das moedas comunitárias brasileiras.

Se hoje existem experiências como:

  • Mumbuca em Maricá;
  • Arariboia em Niterói;
  • Neuro em Curitiba;

é porque o modelo desenvolvido em Fortaleza demonstrou que uma comunidade pode criar seus próprios instrumentos de desenvolvimento econômico.


Conclusão

O Banco Palmas não foi apenas o primeiro banco comunitário do Brasil. Ele criou uma metodologia que transformou a forma como muitas comunidades enxergam o crédito, a circulação de riqueza e o desenvolvimento local.

Mais do que uma instituição financeira, tornou-se um laboratório de inovação social, inspirando dezenas de moedas sociais e bancos comunitários em todo o país.

Para o estudo das cédulas comunitárias, moedas sociais e finanças solidárias, o Banco Palmas é o ponto de partida obrigatório de toda a história brasileira desse movimento.

Próximo capítulo:

Banco Mumbuca: a primeira grande moeda social digital apoiada por um município brasileiro.



Fonte:

Autor do blog: Nilton Romani

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