Miguel Ángel Alfaro e a tradição numismática de El Salvador na Rio 2025
Na série de entrevistas de apresentação dos vice-presidentes nacionais da 5ª Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas – Rio 2025, promovida pela Sociedade Numismática Brasileira, foi apresentado Miguel Ángel Alfaro, representante de El Salvador.
Colecionador desde os 10 anos de idade, Miguel Ángel acumula seis décadas dedicadas à numismática. Sua iniciação ocorreu de forma espontânea, ao guardar moedas recebidas como troco em viagens a países vizinhos como Guatemala, Honduras e Nicarágua. A partir desse contato inicial, desenvolveu o hábito de observar detalhes, imaginar contextos históricos e perceber a moeda como objeto cultural e testemunho do tempo.
A numismática, em seu caso, possui também raízes familiares profundas. Seu avô paterno foi funcionário do primeiro banco fundado em El Salvador, o Banco Salvadoreño, e também colecionador. Parte dessa coleção foi utilizada pela família para custear a educação dos filhos após sua morte. Já seu avô materno, Luis Alfaro Durán, foi o primeiro presidente do Banco Central de Reserva de El Salvador, tendo sua assinatura nos primeiros bilhetes emitidos pelo país em 1934. Essa herança histórica reforçou a conexão de Miguel Ángel com o universo monetário salvadorenho.
Seu foco principal de coleção são as moedas coloniais, especialmente as macuquinas de prata provenientes das casas da moeda de Potosí, México, Guatemala e outras regiões que abasteceram a circulação monetária na América Central. El Salvador, historicamente agrícola e sem tradição mineradora relevante, teve circulação predominante de prata, o que direcionou seu interesse para esse segmento. Para ele, cada macuquina é um objeto único, com identidade própria, capaz de transportar o colecionador ao local e à época de sua cunhagem.
A trajetória numismática em El Salvador enfrentou desafios significativos. Durante a guerra civil dos anos 1980 e posteriormente com a instabilidade social provocada pelas maras, muitas casas numismáticas fecharam e coleções foram vendidas ao exterior. O acesso a peças antigas tornou-se limitado, exigindo do colecionador iniciativas diretas, como busca em ourivesarias e fundições para resgatar moedas antes que fossem derretidas.
Além do valor histórico e econômico, Miguel Ángel destaca o valor humano da numismática. Para ele, colecionar moedas é também colecionar amizades. Participante das Convenções Internacionais de Historiadores e Numismatas desde a primeira edição em 2016, realizada em Potosí, Bolívia, considera esses encontros espaços fundamentais de intercâmbio acadêmico, fortalecimento de laços e integração latino-americana.
Sua presença na Rio 2025 tem significado especial. Para o representante salvadorenho, Brasil — frequentemente percebido como distante culturalmente por conta da língua — torna-se, por meio da numismática, ponto de união entre países latino-americanos. A convenção representa oportunidade de conhecer a história monetária brasileira, ampliar horizontes acadêmicos e consolidar relações internacionais.
A participação de Miguel Ángel Alfaro reafirma o papel das convenções como instrumento de integração continental, pesquisa histórica e valorização do patrimônio monetário ibero-americano.
