Artigo – Paulo Esteves: a integração entre comércio e academia na numismática rumo à Rio 2025
A 5ª Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas – Rio 2025, organizada pela Sociedade Numismática Brasileira, contará com a participação de representantes de cerca de 30 países. Entre eles está Paulo Esteves, vice-presidente por Portugal, cuja trajetória profissional evidencia a importância da conexão entre mercado, pesquisa e internacionalização da numismática.
O evento será realizado de 2 a 6 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, consolidando-se como um dos maiores encontros do setor no cenário internacional.
Início profissional e consolidação no mercado
Paulo Esteves iniciou sua carreira aos 19 anos, em Lisboa, trabalhando na tradicional empresa Numismática Diamantino. Desde cedo, teve contato com moedas modernas, moedas romanas e, especialmente, peças em ouro, que despertaram seu interesse profundo pela história monetária.
Ao longo de 27 anos de atuação, construiu um perfil eminentemente comercial, sem abrir mão da base acadêmica necessária para o exercício seguro da atividade. Após sete anos de experiência, criou seu próprio projeto profissional, com foco em atuação internacional e participação em feiras na Europa, Estados Unidos e, mais recentemente, em Hong Kong — um dos principais polos globais do mercado numismático.
A complementaridade entre academia e comércio
Paulo destaca que a numismática possui duas vertentes inseparáveis:
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A vertente acadêmica, responsável por pesquisas, catalogação, autenticação e produção bibliográfica;
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A vertente comercial, voltada à compra, venda e circulação de moedas no mercado.
Segundo ele, sem a base científica construída por pesquisadores e autores, o comércio ficaria vulnerável a erros de atribuição, falsificações e interpretações equivocadas. Ele próprio colabora com catálogos internacionais reconhecidos, como Friedberg, Krause e outros referenciais amplamente utilizados no mercado.
O eixo luso-brasileiro na numismática mundial
Um dos pontos centrais de sua análise é o potencial ainda pouco explorado da numismática luso-brasileira. Moedas do período dos Descobrimentos e do Império Português — como os célebres 20.000 réis em ouro — possuem forte apelo internacional, inclusive entre colecionadores japoneses e norte-americanos.
Paulo ressalta que Portugal e Brasil ainda têm amplo espaço para desenvolver seu mercado interno, educar novos colecionadores e ampliar o entendimento da numismática como patrimônio histórico e também como ativo cultural de valor.
Expectativas para a Rio 2025
Para Paulo Esteves, a Rio 2025 será um verdadeiro “encontro de dois mundos”: Europa e América do Sul reunidas em torno de uma herança monetária comum. Ele acredita que o congresso unirá:
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Pesquisadores e autores acadêmicos;
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Comerciantes e investidores;
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Colecionadores experientes e iniciantes.
O Rio de Janeiro surge, em sua visão, como ponto estratégico para aproximar mercados, fortalecer redes internacionais e ampliar o intercâmbio técnico e comercial.
