Em entrevista conduzida por Osvaldo Rodríguez na série preparatória da Rio 2025, promovida pela Sociedade Numismática Brasileira, o vice-presidente pelo Equador, Robert Masalid, apresentou sua trajetória como especialista em moedas macuquinas de Potosí. Destacou oção influência do resgate do galeão Jesús María de la Limpia Concepción (1654) em suas pesquisas, a produção de cinco volumes sobre o período do “Grande Fraude” (1649–1659) e sua atuação internacional nas convenções anteriores. Também ressaltou a fundação da associação numismática equatoriana e demonstrou expectativa de que a Rio 2025 seja a maior edição já realizada.
Dando continuidade à série de entrevistas com os vice-presidentes da 5ª Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas – Rio 2025, promovida pela Sociedade Numismática Brasileira, Osvaldo Rodríguez recebeu o vice-presidente pelo Equador, Robert Masalid, para apresentar sua trajetória como colecionador, pesquisador e autor especializado em moedas macuquinas de Potosí.
Robert iniciou sua jornada como filatelista, influenciado pelo ambiente familiar. Contudo, o contato com uma moeda macuquina — um real de Potosí de 1682, de formato irregular e aspecto peculiar — despertou uma paixão definitiva pela numismática. A partir desse momento, vendeu sua coleção de selos e dedicou-se integralmente ao estudo das moedas coloniais hispano-americanas, especialmente as cunhadas na Casa da Moeda de Potosí.
Um ponto decisivo em sua trajetória ocorreu em 1997, com o resgate, na costa do Equador, do galeão espanhol Jesús María de la Limpia Concepción, conhecido como “La Capitana”, naufragado em 1654. O navio transportava grande quantidade de moedas cunhadas entre 1649 e 1654 — período crucial da história monetária de Potosí, marcado pelo chamado “Grande Fraude”.
Esse episódio histórico envolveu denúncias de corrupção na Casa da Moeda de Potosí, levando a reformas profundas na cunhagem, mudanças de tipologia e introdução de contramarcas para validar a circulação monetária. O resgate proporcionou abundante material para estudo, permitindo a Masalid catalogar variantes de cunho, classificar raridades e estruturar censos quantitativos das emissões.
O aprofundamento das pesquisas resultou em uma série de cinco volumes dedicados às moedas potosinas do período crítico da década de 1650:
Estudo dos oito reales de 1652 (lançado em 2015, em Chicago e Córdoba);
Análise das frações de 4, 2, 1 e ½ real;
Pesquisa detalhada sobre as contramarcas de 1652;
Estudo das emissões do escudo coroado (1649–1652);
Volume final abrangendo as emissões de 1653 a 1659, apresentado em 2023.
Os trabalhos foram apresentados ao longo das convenções internacionais realizadas em Potosí (2016), Arequipa (2018), Cartagena (2021) e Santo Domingo (2023), consolidando sua reputação como referência internacional no tema.
Um sexto volume, dedicado às emissões da década de 1640, está em desenvolvimento e deverá ser publicado futuramente.
Além da pesquisa acadêmica, Masalid teve papel ativo na organização do meio numismático equatoriano. Em 2018, participou da fundação da Asociación Numismática del Ecuador (ANECUB), suprindo uma lacuna institucional histórica no país.
Como vice-presidente pelo Equador, representou seu país nas quatro edições anteriores da Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas, reforçando o crescimento contínuo do evento e sua importância no cenário ibero-americano.
Durante a entrevista, Robert destacou que a Rio 2025 tende a superar as edições anteriores em dimensão e impacto acadêmico. Ele elogiou o trabalho organizacional liderado pelo presidente da Sociedade Numismática Brasileira, Bruno Pelizar, e manifestou confiança no sucesso do evento, que ocorrerá de 2 a 6 de setembro no Rio de Janeiro.
A convenção consolida-se como espaço privilegiado para intercâmbio científico, apresentação de pesquisas inéditas e fortalecimento da integração entre pesquisadores latino-americanos.
Nilton Romani