Em entrevista na série preparatória da Rio 2025, organizada pela Sociedade Numismática Brasileira, Felipe Botelho destacou a integração entre estudo, comércio e colecionismo como pilares da numismática. Colecionador e comerciante, com foco em moedas brasileiras e romanas, ele ressaltou a importância dos eventos presenciais para troca de conhecimento e networking internacional. A Rio 2025, realizada de 2 a 6 de setembro no Rio de Janeiro, promete fortalecer a projeção internacional da numismática brasileira.
Dando continuidade à série de apresentações dos vice-presidentes da Rio 2025 — a 5ª Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas — promovida pela Sociedade Numismática Brasileira, Osvaldo Rodrigues recebeu Felipe Botelho para uma conversa sobre trajetória, mercado e a importância da integração no universo numismático.
Felipe se define como “50% colecionador e 50% comerciante”, ressaltando que essas duas dimensões caminham juntas e se retroalimentam. Com cerca de 12 anos de dedicação intensa após uma retomada do hobby iniciado na juventude, ele coleciona principalmente moedas do Brasil, moedas do Império Romano e cédulas brasileiras.
O interesse pela numismática começou ainda na adolescência, quando recebeu um catálogo de moedas — estímulo que permaneceu latente até ser retomado com maior intensidade na vida adulta. Ao longo dos anos, Felipe aprofundou seus estudos por meio de catálogos, bibliografia especializada e troca constante de informações com outros colecionadores.
Ele destaca que, no mundo contemporâneo, grande parte das aquisições e interações ocorre no ambiente online, seja por meio de lojas virtuais, leilões, grupos de discussão ou redes sociais. No entanto, ressalta que eventos presenciais oferecem algo insubstituível: a convivência direta, o networking e a troca qualificada de conhecimento.
Residente na Alemanha, Felipe mantém contato com colecionadores e comerciantes locais, participando de feiras e encontros, inclusive em cidades como Berlim e Hamburgo. Apesar das diferenças de foco entre a numismática alemã e a brasileira, ele observa que o idioma não é barreira significativa — o verdadeiro diferencial está no interesse temático.
Segundo ele, a Rio 2025 representa uma oportunidade singular para aproximar especialistas, comerciantes e pesquisadores de diferentes países. A presença já confirmada de centenas de participantes estrangeiros reforça o caráter internacional da convenção.
Durante a entrevista, Felipe sintetizou a dinâmica do setor em três vertentes interligadas:
Estudo e pesquisa
Colecionismo
Comércio
Para ele, o comerciante que também é colecionador tende a ter maior profundidade técnica, enquanto o colecionador que compreende o mercado desenvolve critérios mais sólidos de avaliação. Essa integração fortalece a qualidade das coleções e estimula novas pesquisas.
A convenção, que ocorrerá de 2 a 6 de setembro no hotel Marriott, em Copacabana, reunirá palestras, apresentações de livros, expositores e comerciantes nacionais e internacionais. A expectativa é que o evento amplie a visibilidade da numismática brasileira no cenário global e consolide o Brasil como polo de intercâmbio acadêmico e comercial.
Felipe demonstrou entusiasmo em participar e afirmou que continuará mobilizando colegas do exterior para prestigiar o encontro.
Nilton Romani