O presente trabalho analisa a sala numismática da subsede do Banco Central da Venezuela em Maracaibo como uma proposta historiográfica e museológica voltada à interpretação da evolução do circulante no país. A pesquisa teve como objetivo avaliar se essa exposição pode ser considerada uma abordagem inovadora em relação aos discursos tradicionais da numismática venezuelana, historicamente baseados em critérios cronológicos e políticos.
Para isso, foram revisados os principais estudos historiográficos sobre moedas e bilhetes na Venezuela, bem como os modelos museográficos anteriormente utilizados em exposições numismáticas. Observou-se que, durante mais de um século, a história monetária venezuelana foi estudada separadamente entre moedas e papel-moeda, com poucas revisões críticas dos modelos interpretativos estabelecidos por autores clássicos da área.
O desenvolvimento da sala numismática passou por diferentes roteiros museológicos entre 2006 e 2019, evoluindo de uma proposta tradicional para um modelo integrado que relaciona moedas e bilhetes como meios equivalentes dentro de um mesmo processo histórico. O roteiro final incorporou novos achados numismáticos, ampliou a periodização histórica e priorizou uma leitura baseada na evolução do circulante, e não apenas em mudanças políticas.
Conclui-se que a sala numismática de Maracaibo representa uma proposta inovadora no campo da museologia numismática venezuelana, ao atualizar conteúdos históricos e oferecer uma interpretação mais ampla e integrada da história monetária do país, contribuindo tanto para pesquisadores quanto para colecionadores.
