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Indyra Mendoza de Honduras presenta sobre mujeres en los billetes



O artigo analisa a inclusão de Berta Cáceres no novo bilhete de 200 lempiras de Honduras como marco histórico na notafilia do país. Pela primeira vez, uma mulher — e uma mulher indígena contemporânea — passa a integrar oficialmente o papel-moeda nacional, ampliando a representatividade feminina em um contexto global ainda majoritariamente masculino.

A emissão, determinada pelo Decreto nº 62-2022 do Congresso Nacional de Honduras, reconhece Berta Cáceres como heroína nacional e incorpora ao bilhete sua imagem e a frase “Despertemos, humanidade, já não há tempo”. O estudo discute o impacto simbólico, político e pedagógico dessa decisão, destacando a moeda como instrumento de memória coletiva e comunicação estatal.

Conclui-se que a presença de Berta Cáceres redefine narrativas de poder, fortalece a perspectiva de gênero na iconografia monetária latino-americana e transforma o papel-moeda em espaço de reconhecimento histórico e justiça simbólica.





Berta Cáceres na Notafilia Hondurenha: Perspectiva de Gênero, Memória e Representação no Papel-Moeda

Introdução

A inclusão de Berta Cáceres no novo bilhete de 200 lempiras de Honduras marca um acontecimento histórico na notafilia do país: pela primeira vez, uma mulher — e uma mulher indígena contemporânea — passa a integrar oficialmente o espaço simbólico do papel-moeda nacional. Mais do que uma mudança iconográfica, trata-se de um gesto político, cultural e memorial.

Este artigo analisa o significado dessa emissão sob a perspectiva da numismática, da memória histórica e dos estudos de gênero.


Quem foi Berta Cáceres

Berta Isabel Cáceres Flores (1971–2016) foi ativista indígena lenca, ambientalista e feminista. Cofundadora e coordenadora do COPINH (Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras), destacou-se na defesa dos rios, dos territórios indígenas e dos direitos humanos.

Em 2015, recebeu o Prêmio Goldman, considerado o “Nobel do meio ambiente”, ocasião em que pronunciou a frase:

“Despertemos, humanidade, já não há tempo.”

Essa expressão foi incorporada ao projeto do novo bilhete, reforçando o caráter simbólico da emissão.


O Decreto e a Emissão Monetária

Em 27 de maio de 2022, o Congresso Nacional de Honduras aprovou o Decreto nº 62-2022, elevando Berta Cáceres à categoria de heroína nacional e determinando ao Banco Central de Honduras que incluísse sua imagem na nova emissão do bilhete de 200 lempiras.

Essa decisão não se limita a um reconhecimento póstumo. Ela representa:

  • Reconhecimento estatal de uma liderança feminina contemporânea

  • Valorização de uma mulher indígena na narrativa nacional

  • Inserção da luta socioambiental na memória monetária


Perspectiva de Gênero na Notafilia

Estudos internacionais indicam que aproximadamente 90% dos retratos presentes em cédulas ao redor do mundo representam homens. A presença feminina é minoritária e, quando ocorre, frequentemente está associada a figuras monárquicas ou alegorias.

A inclusão de Berta Cáceres rompe três paradigmas:

  1. Temporal: Não se trata de personagem distante no tempo, mas de figura histórica recente.

  2. Étnico: Mulher indígena em posição de protagonismo nacional.

  3. Político: Ativista social e ambiental incorporada ao símbolo máximo da soberania econômica.

Assim, o papel-moeda deixa de representar exclusivamente elites políticas tradicionais e passa a incorporar lideranças sociais.


A Moeda como Espaço de Memória

Na numismática e na notafilia, o papel-moeda não é apenas instrumento de troca. Ele é também:

  • Documento histórico

  • Veículo de narrativa estatal

  • Ferramenta de pedagogia simbólica

Ao circular diariamente nas mãos da população, o bilhete torna-se um meio permanente de comunicação pública. A imagem de Berta Cáceres funcionará como recordatório constante de sua luta e de sua mensagem.


Impacto na América Latina

A emissão hondurenha tem repercussão regional, pois:

  • Amplia o debate sobre representatividade feminina na moeda

  • Reforça a presença de lideranças sociais na iconografia oficial

  • Inspira revisões simbólicas em outros países da América Latina e Caribe

A presença de uma mulher indígena ativista em circulação monetária redefine a narrativa visual do poder.


Entre o Símbolo e a Pessoa

Um dos pontos mais relevantes do debate é evitar a mitificação abstrata. Berta Cáceres não deve ser lembrada apenas como “heroína oficial”, mas como mulher concreta, líder comunitária, articuladora de movimentos e referência de resistência social.

A humanização da figura histórica é essencial para que a representação monetária não se torne apenas um ícone vazio, mas um convite à reflexão.


Conclusão

A inclusão de Berta Cáceres no bilhete de 200 lempiras constitui um marco na notafilia hondurenha e na história da representação feminina no papel-moeda latino-americano.

Mais do que um gesto simbólico, trata-se de:

  • Reconhecimento histórico

  • Afirmação de memória coletiva

  • Avanço na perspectiva de gênero

  • Transformação do espaço monetário em espaço de justiça simbólica

Quando uma nação decide quem estampa sua moeda, ela decide também quais valores deseja perpetuar. Ao colocar Berta Cáceres em circulação, Honduras inscreve na economia cotidiana uma mensagem de resistência, igualdade e defesa da vida.

 
 
 


Fonte:

Autor do blog: Nilton Romani

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