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O busto que deu a forma à atual efígie da República



A ideia por trás do rosto “misterioso” que orna as cédulas de real já foi há muito desvendada por numismatas e jornalistas em uma plêiade de artigos que é desnecessário citar; a busca do Google nos mostra vários deles.

A efígie feminina que personifica a regime republicano é invenção francesa, surgida à época da Revolução, mas a imagética inicial é atribuída ao pintor francês Jean-Michel Moreau, dito o Jovem, que pintou em 1775 uma mulher em trajes romanos e com o barrete frígio (HUNT, 1984, p. 62).

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Esboço de ilustração para o poema Henríada, de Voltaire, feito por Jean-Michel Moreau, o Jovem, em 1775. Copyright: © Musée national du château de Pau / Jean-Yves Chermeux

Nossa Marianne – ou Mariana, mesmo – não tem nome. É simplesmente a República, como aparece logo no quadrante inferior esquerdo da efígie representada nas cédulas da segunda família do real. Na primeira, nem essa indicação traz.

Mas o colecionador atento sabe que a República teve várias caras desde 1889, sempre de barrete frígio, mas com penteados ou traços diferentes. Em 1965, o gravador Benedito Ribeiro criou talvez a efígie mais emblemática, inspirada no rosto da atriz Tônia Carreiro e cuja primeira versão esteve presente no anverso da moeda de cuproníquel de 50 cruzeiros (1965) e no anverso de todas as peças da primeira família do cruzeiro novo/segundo cruzeiro (1967-1979), além da cédula de 1 unidade do padrão.

Até esse momento, todas as representações usadas em moedas são retratos em perfil; a Tônia não fugirá à regra.

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Cédula de 1 cruzeiro emitida a partir de 1970 e que traz a efígie da República tipo “Tônia”.

Em 1989, por conta do Centenário da República, o Banco Central lançou três peças comemorativas: a moeda de 1 cruzado novo (aço inoxidável), a de 200 cruzados novos (prata pura) e a cédula de 200 cruzados novos. Em todas as peças aparece o novo rosto dado à República. A gravura da cédula é atribuída a Zélio Bruno da Trindade (COSTA, 2011, p. 161) e foi aproveitada para a primeira série do real (COSTA, 2011, p. 105-106).

 
 
Cédulas de 200 cruzados novos e de 1 real da primeira família

Bem, sabemos o que representa a imagem, mas qual é a origem da atual representação? Uma imagem feminina, mas algo andrógina. Qual é a inspiração do desenho? É essa informação que Costa (2011, p. 115) nos traz em sua dissertação de mestrado.

A imagem do real passava a ser aquela cabeça andrógina de uma cópia em bronze de um busto não identificado que, por capricho do destino, estava á disposição de um artista que precisava encontrar uma referência escultórica para uma nova representação da República. A cópia, em bronze, pertence à Casa da Moeda e, ao contrário da cédula, não possui o barrete frígio ou a coroa de louros, que foram acrescentados como desenho.

É de conhecimento geral que a Casa da Moeda fez a fundição de várias estátuas que até hoje estão em locais públicos. Seria essa a origem do busto abandonado? Quem seria seu autor?

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Fonte: Costa (2011, p. 116)

O desenho sofreu algumas alterações para uso na segunda família, mas segue basicamente o mesmo traçado. As diferenças mais notórias estão no canto direito da boca, em algumas mechas de cabelo (alto da cabeça e na lateral direita), na ponta do barrete (à próximo ao pescoço) e na disposição e no traçado das folhas da coroa de louros, além de ser visível todo o barrete acima da testa e ter uma nítida atenuação dos traços do rosto, que ficou “menos anguloso”.


COSTA, Guilherme Ribeiro Tardin. O design das cédulas brasileiras do cruzeiro ao real (1970-2010). Dissertação (dissertação de mestrado em Design). 2011. 175 f. Universidade Estadual do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <http://www.um.pro.br/prod/_pdf/000962.pdf>. Acesso em: 29 mar. 2020.

HUNT, Lynn. Politics, Culture, and Class in French Revolution. Berkeley: University of California Press, 1984. Disponível em: <https://thecharnelhouse.org/wp-content/uploads/2016/03/lynn-hunt-politics-culture-and-class-in-the-french-revolution.pdf>. Acesso em: 09 abr. 2020.





Assunto

Fonte: Sérgio Mendes, Colégio da Numismática

Autor do blog: Sérgio Mendes

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